"É confusa a minha fórmula. Verifiquei que na minha arte poucas regras se cumprem. Desconfia de mim, não cozinhes as minhas poções se te assaltar a sombra de uma dúvida. Mas lê essa tentativa falaz de feitiçaria: o esconjuro, se servir, é apenas o seu som – o que cura é o ar que as palavras exalam.” (Héctor Faciolince)
domingo, 8 de março de 2009
She pours a daydream in a cup
Her Morning Elegance
(Oren Lavie)
Sun been down for days
A pretty flower in a vase
A slipper by the fireplace
A cello lying in its case
Soon she's down the stairs
Her morning elegance she wears
The sound of water makes her dream
Awoken by a cloud of steam
She pours a daydream in a cup
A spoon of sugar sweetens up
And she fights for her life
as she puts on her coat
And she fights for her life on the train
She looks at the rain
as it pours
And she fights for her life
as she goes in a store
with a thought she has caught
by a thread
she pays for the bread
and she goes…
Nobody knows
Sun been down for days
A winter melody she plays
The thunder makes her contemplate
She hears a noise behind the gate
Perhaps a letter with a dove
Perhaps a stranger she could love
p.s.: o Oren Lavie é um músico e escritor e diretor de teatro isralense que mora em Berlin (procura aí no google que eu não sei colocar link aqui). A letra eu peguei no Terra e o clipe tá lá no youtube. Oren tem sido minha trilha sonora essas últimas semanas.
domingo, 22 de fevereiro de 2009
sobre vícios e virtudes II
domingo, 15 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
A Paciência
_ que bom... é mto bom ter vícios!
_ eu não tô gostando, porque é um vício chato
_ o que é? é um vício caro?
_ jogar paciência no computador
_ eu tb tenho esse!
_ eu me sinto uma idiota
_ mas, olha, o chico buarque tb joga
_ todo dia eu tenho que jogar
_ jogar paciência faz parte do processo criativo, porque limpa a mente pras idéias poderem vir
_ é verdade!
_ eu me sinto mto respaldada depois que eu soube que o chico tb joga!
_ isso me aliviou, confesso
_ pois é...
_ égua ana, tu não sabes como eu estou feliz em ter um vício em comum com o chico!!!
(Chico Buarque do Brasil, ed. Garamond, p. 109)
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Feliz 2009
Mas esses dias, li um post no blog da cássia (www.olhoscaramelos.wordpress.com . Pois é, eu não sei fazer ficar a palavra azulzinha que a gente clica e já vai direto no link, acredita?) que era assim, ó:
Eduardo Coutinho, no DVD especial em comemoração aos 50 anos de lançamento do livro Grande sertão: veredas, de João Guimarães Rosa.
*
Este é o meu desejo para 2009: sejamos imperfeitos. Porque sem aqueles que não temem a imperfeição, o mundo jamais teria saído do lugar.
domingo, 21 de dezembro de 2008
verdade, beleza, liberade e amor
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
quando viver é uma ordem
(Cordilheira, Daniel Galera)
Porque de vez em quando somos tão severos com as pessoas, e elas nos amam tanto.
Porque fim de ano é difícil, ainda mais com o trânsito parado por causa da árvore de natal gigante.
Porque as pessoas sempre podem recusar um convite, mas quase sempre vale a pena correr o risco e convidar. Quase sempre.
Por essas e outras, e por me faltarem os adjetivos e mesmo os substantivos e verbos, que faço minha segunda citação no mesmo post:
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
(Carlos Drummond Andrade)
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
clarice lispector
Porque hoje Clarice faria 88...
“Ter nascido me estragou a saúde”
*
“Quem não é um acaso na vida?”
*
“Eu não sou tão triste assim, é que hoje eu estou cansada”
“Sou um monte intransponível no meu próprio caminho. Mas às vezes por uma palavra tua ou por uma palavra lida, de repente tudo se esclarece.”
*
“Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.
*
“Eu não sou promíscua. Mas sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro.”
“Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com seu amante.”
“Gosto do modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão.”
*
“Gosto dos venenos os mais lentos!
As bebidas as mais fortes!
Dos cafes mais amargos!
E os delirios mais loucos.
Voce pode ate me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
E daí
eu adoro voar!!!”
*
“Perder-se também é caminho.”
*
“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito.”
P.S.: se alguém não entendeu, todas as frases são de Clarice Lispector.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Se ela fumasse, ia acender um cigarro e abrir uma cerveja. Como não fuma e não tem cerveja em casa, fez um chá. Chá não tem nada de baudelairiano!
Abriu a cortina. Noite longa e escura. Lembrou do poema do Robert Frost que leu esses dias...
The darkest evening of the year
(…)
The woods are lovely, dark and deep.
But I have promises to keep,
And miles to go before I sleep,
And miles to go before I sleep.
domingo, 30 de novembro de 2008
domingo, 23 de novembro de 2008
a embriaguez e o tempo
“É preciso estar sempre embriagado.
Isso é tudo: é a única questão. Para não sentir o horrível fardo do Tempo que lhe quebra os ombros e o curva para o chão, é preciso embriagar-se sem perdão.
Mas de que? De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser. Mas embriague-se. E se às vezes, nos degraus de um palácio, na grama verde de um fosso, na solidão triste do seu quarto, você acorda, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, pergunte ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme,a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunte que horas são e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio lhe responderão: 'É hora de embriagar-se! Para não ser o escravo mártir do Tempo, embriague-se; embriague-se sem parar! De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser'."
(Baudelaire)
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
confiança
_ Eu posso confiar em você?...
_ Em que você quer confiar em mim?...
_ Assim... se eu for cair você me segura?
_ Patinando?
_ Patinando, claro...
terça-feira, 7 de outubro de 2008
post no forno
“Eu choro, sabe? Eu choro porque a dor não me deixa respirar e mesmo assim eu respiro fundo e solto o ar em oito tempos, como nos exercícios da aula de canto, enquanto bato claras em neve e meço a quantidade de leite para o suflê, enquanto ralo o queijo ou penduro a roupa no varal, enquanto misturo as tintas, enquanto lavo os pincéis.
Choro porque sou impotente, porque tudo posso. Eu choro quase sempre, quase o tempo todo, porque o humano que há em mim se atira do parapeito e não tem volta, mas eu volto todas as vezes, todos os dias”
Chegou hoje meu livro da Fal de Azevedo. Ainda não comecei apropriadamente, mas já estou quase na metade.
Hoje fiz bolinhos de bacalhau. Mais tarde eu ponho aqui a receita.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Porque hoje está frio e você está longe.
Porque hoje está muito frio e eu tenho mto trabalho pela madrugada, fiz café.
Que tomo lendo velhos e novos amigos...
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Amor Barato
Que é de comer e cuspir no prato.
Mas levo esse amor com zelo de quem leva o andor,
Eu velo pelo meu amor que sonha,
(...)
Um tipo que tem que não deve nada a ninguém,
Que dá mais que Maria Sem Vergonha.
(Chico Buarque).
Quem nunca teve um amor barato? É, aquele tipo que “é de mendigar cafuné, é pobre e às vezes nem é honesto”. Sabe aquela “pechincha de amor, mas que o sujeito faz tanta questão, que se tiver precisão, ele furta”? Sabe qual é, né? Pois então! Não tem emoção como a de um amor barato... [suspiro com o olhar distante...]
Quem já teve sabe do que estou falando. Aquela agonia no baixo ventre, aquele peso na perna que impede de ir embora e faz deitar.
Não desejo pra ninguém um amor barato eterno! Pelo amor de deus! Lembre-se, é um amor que não vale lá muita coisa! Amor barato não é pra levar pro altar, mas, meu amigo, ele tem o seu valorzinho. E hoje, com essa lua que chegou de repente na minha janela e um vinho no copo, queria fazer um brinde aos amores baratos. Àqueles que não valem prato que comem. Àqueles dos quais o sujeito até se envergonha e nega, mas que, no fundo, leva com o “zelo de quem leva o andor”.
E como o assunto é esse, vou postar uma receitinha de boteco, que aprendi com uma amiga que, por sinal, é muito elegante e encontrou um amor precioso. É um prato que, como um amor barato, deve ser consumido com parcimônia para não fazer mal ao coração – ainda que parcimônia e amor barato pareçam não cair assim tão bem.
Calabresa com Provolone
Para bem acompanhar, além de um amor (barato ou não), um pãozinho em rodelas e uma cerveja bem gelada.
P.S.: um amor barato de verdade vele muito menos que essa receita porque a calabresa e o provolone tão pela hora da morte!
domingo, 17 de agosto de 2008
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Surpresas do Coração
Journeys end in lovers meeting,
Every wise man's son doth know
(Shakespeare)
Eu amo filmes de viagens. Histórias de viagens são histórias de transformação pessoal, o protagonista se desloca objetivamente no espaço, mas também muda de lugar dentro de si mesmo.
Ultimamente, tenho pensado bastante sobre isso, sobre o lugar que um ocupa dentro de si mesmo.
Nas histórias, a viagem é só uma metáfora, o que está mesmo em questão é: como é possível tornar-se o que se é? Veja que a questão não é o que se é, mas como tornar-se. A resposta ao “o que?” ergue um limite e enrijece o sujeito, e foi, justamente, o que o obrigou a partir. Podem reparar, ainda que o protagonista não tenha consciência disso, são as perturbações causadas pelo limite do que se é aquilo o impele a iniciar uma jornada.
Já a resposta ao “como tornar-se?” é perturbadora, e ao mesmo tempo, aberta e tolerante. Ela implica um dissolver-se, ou melhor, um esburacar-se.
Nesse ponto, talvez seja necessário fazer uma distinção, estou falando de histórias de viagens, não de viagens propriamente ditas. Porque é claro que alguém pode viajar e voltar igualzinho, pode viajar e tornar-se ainda mais enrijecido. Isso acontece quando só o que muda é a geografia, o sujeito, todavia, continuou ancorado dentro de si.
Como eu dizia, então, o protagonista tem de esburacar-se. E os buraquinhos que ele se vai cavucando, o permitem encontrar o desconhecido. Esse é um processo assustador e doloroso, não se engane, mas é ali, quando o sujeito enfrenta o medo e a dor, que começa sua jornada.
E as surpresas do coração?
Ah, elas são a recompensa!





