"É confusa a minha fórmula. Verifiquei que na minha arte poucas regras se cumprem. Desconfia de mim, não cozinhes as minhas poções se te assaltar a sombra de uma dúvida. Mas lê essa tentativa falaz de feitiçaria: o esconjuro, se servir, é apenas o seu som – o que cura é o ar que as palavras exalam.” (Héctor Faciolince)
domingo, 21 de dezembro de 2008
verdade, beleza, liberade e amor
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Surpresas do Coração
Journeys end in lovers meeting,
Every wise man's son doth know
(Shakespeare)
Eu amo filmes de viagens. Histórias de viagens são histórias de transformação pessoal, o protagonista se desloca objetivamente no espaço, mas também muda de lugar dentro de si mesmo.
Ultimamente, tenho pensado bastante sobre isso, sobre o lugar que um ocupa dentro de si mesmo.
Nas histórias, a viagem é só uma metáfora, o que está mesmo em questão é: como é possível tornar-se o que se é? Veja que a questão não é o que se é, mas como tornar-se. A resposta ao “o que?” ergue um limite e enrijece o sujeito, e foi, justamente, o que o obrigou a partir. Podem reparar, ainda que o protagonista não tenha consciência disso, são as perturbações causadas pelo limite do que se é aquilo o impele a iniciar uma jornada.
Já a resposta ao “como tornar-se?” é perturbadora, e ao mesmo tempo, aberta e tolerante. Ela implica um dissolver-se, ou melhor, um esburacar-se.
Nesse ponto, talvez seja necessário fazer uma distinção, estou falando de histórias de viagens, não de viagens propriamente ditas. Porque é claro que alguém pode viajar e voltar igualzinho, pode viajar e tornar-se ainda mais enrijecido. Isso acontece quando só o que muda é a geografia, o sujeito, todavia, continuou ancorado dentro de si.
Como eu dizia, então, o protagonista tem de esburacar-se. E os buraquinhos que ele se vai cavucando, o permitem encontrar o desconhecido. Esse é um processo assustador e doloroso, não se engane, mas é ali, quando o sujeito enfrenta o medo e a dor, que começa sua jornada.
E as surpresas do coração?
Ah, elas são a recompensa!
terça-feira, 8 de julho de 2008
O Medo da Torta de Blueberry
Jeremy: Bem, pelas minhas observações, às vezes, é melhor não saber. Outras vezes, não há razão para ser encontrada.
Elizabeth: Tudo tem uma razão.
Jeremy: Assim como as tortas e bolos! Veja: ao final de toda noite, o Cheesecake e a torta de maçã já não existem mais, sempre. A torta de pêssego e a torta de mouse de chocolate estão quase no final. Mas sempre sobra uma torta de blueberry inteira. Intocada.
Elizabeth: O que tem de errado com essa torta?

Não sei vocês, mas quando era criança e tinha que dançar quadrilha nas festas juninas do colégio, meu maior medo era ter que dançar com a vassoura no final. Eu, que apenas recentemente aprendi que correr riscos pode ser uma experiência bem recompensante, acabava sempre combinando com um amigo que quem fosse tirado primeiro, tiraria o outro. Uma besteira! Porque se, por um lado, me livrava daquilo que eu considerava vexatório, ter de dançar com a vassoura, por outro nunca me permitiu tirar quem eu realmente queria tirar, nem ser tirada por aquele que eu realmente queria que me tirasse.
E afinal, qual era mesmo o problema de dançar com a vassoura?