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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

A Paciência

_ ana, eu tenho um vício
_ que bom... é mto bom ter vícios!
_ eu não tô gostando, porque é um vício chato
_ o que é? é um vício caro?
_ jogar paciência no computador
_ eu tb tenho esse!
_ eu me sinto uma idiota
_ mas, olha, o chico buarque tb joga
_ todo dia eu tenho que jogar
_ jogar paciência faz parte do processo criativo, porque limpa a mente pras idéias poderem vir
_ é verdade!
_ eu me sinto mto respaldada depois que eu soube que o chico tb joga!
_ isso me aliviou, confesso
_ pois é...
_ égua ana, tu não sabes como eu estou feliz em ter um vício em comum com o chico!!!

"O tempo de Chico Buarque é diferente, diz ele. O trabalho e a criação ocpuam sempre a sua cabeça. Quando caminha pela praia, quando vê um filme. Às vezes comete silêncios desconcertantes porque no meio de uma conversa se detém para pensar. Na hora de escrever, muitas vezes senta-se à frente do computador e fica horas jogando paciência. Até ter uma idéia. Então passa para o texto, escreve cinco minutos e volta para a paciência. Com o andar das coisas, isso vai mudando e ele fica menos tempo na paciência e mais no texto. (...)"
(Chico Buarque do Brasil, ed. Garamond, p. 109)

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Amor Barato

Um tipo de amor que é de esfarrapar e cerzir,
Que é de comer e cuspir no prato.
Mas levo esse amor com zelo de quem leva o andor,
Eu velo pelo meu amor que sonha,
(...)
Um tipo que tem que não deve nada a ninguém,
Que dá mais que Maria Sem Vergonha.
(Chico Buarque).

Quem nunca teve um amor barato? É, aquele tipo que “é de mendigar cafuné, é pobre e às vezes nem é honesto”. Sabe aquela “pechincha de amor, mas que o sujeito faz tanta questão, que se tiver precisão, ele furta”? Sabe qual é, né? Pois então! Não tem emoção como a de um amor barato... [suspiro com o olhar distante...]

Quem já teve sabe do que estou falando. Aquela agonia no baixo ventre, aquele peso na perna que impede de ir embora e faz deitar.

Não desejo pra ninguém um amor barato eterno! Pelo amor de deus! Lembre-se, é um amor que não vale lá muita coisa! Amor barato não é pra levar pro altar, mas, meu amigo, ele tem o seu valorzinho. E hoje, com essa lua que chegou de repente na minha janela e um vinho no copo, queria fazer um brinde aos amores baratos. Àqueles que não valem prato que comem. Àqueles dos quais o sujeito até se envergonha e nega, mas que, no fundo, leva com o “zelo de quem leva o andor”.

E como o assunto é esse, vou postar uma receitinha de boteco, que aprendi com uma amiga que, por sinal, é muito elegante e encontrou um amor precioso. É um prato que, como um amor barato, deve ser consumido com parcimônia para não fazer mal ao coração – ainda que parcimônia e amor barato pareçam não cair assim tão bem.

Calabresa com Provolone

Corte a lingüiça calabresa em rodelas grossas, ou como você preferir. Corte uma cebola em rodelas ou em comprido, como você preferir. Refogue a cebola com margarina e um pouco de óleo até ficar transparente, coloque a lingüiça. Refogue. Você pode temperar com um pouco de pimenta calabresa. Quando estiver com aquele dourado bem lindo, apague o fogo e coloque num pirex, cubra com provolone fatiado. Leve ao forno pra derreter o queijo.
Para bem acompanhar, além de um amor (barato ou não), um pãozinho em rodelas e uma cerveja bem gelada.

P.S.: um amor barato de verdade vele muito menos que essa receita porque a calabresa e o provolone tão pela hora da morte!

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Prenúncio

“De todas as maneiras que há de amar, já nos machucamos.
Com todas as palavras feitas pra humilhar, nos afagamos.
Agora, já passa da hora.
Tá lindo lá fora.
Larga minha mão.
Solta as unhas do meu coração
Que ele está apressado”

(chico buarque)


Abri a porta. Não acendi a luz. Acendi o fogo sob a leiteira. O coração aflito, a cidade quieta. Um pesadelo medonho, sofisticado, vinha me perturbando o sono...

Não chegava a ser um amor. Todavia, não consumado. Um acidente. Um desconsolo incompreensível. Um chuveiro no lado de fora numa casa de campo, o chão de madeira, a noite escura. Enquanto a água caía, o homem amado, morto e sujo de lama, vinha em minha direção. E no peito costurado e inerte pude deitar a cabeça.


Acordei chorando. Era um prenúncio, agora eu sabia.

E o cheiro de queimado me fazia lembrar o conselho: uma mulher aflita deve manter-se longe da cozinha.