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    Sábado, 30 de Maio de 2009

    Síndrome da Torta de Blueberry II

    Em tempos de mudança, manter o coração quentinho é fundamental.
    Noutro post já falei sobre o medo da torta de blueberry (clique aqui pra ver), e é incrível como o sujeito pode se enrolar sempre com as mesmas questões... ai, ai...

    e só porque sou uma blueberry girl, uma poesia linda, de um livro lindo eu ganhei esses dias.



    Blueberry Girl
    (Neil Gaiman)

    Ladies of light
    and ladies of darkness
    and ladies of never-you-mind
    this is a prayer for a blueberry girl
    first may you ladies be kind
    keep her from spindles and sleeps at sixteen
    let her stay waking and wise
    nightmares at three or bad husbands at thirty
    these will not trouble her eyes
    dull days at forty, false friends at fifteen
    let her have brave days and truth
    let her go places that we’ve never been
    trust and delight in her youth
    ladies of grace
    and ladies of favor
    and ladies of merciful night
    this is a prayer for a blueberry girl
    grant her your clearness of sight
    words can be worrisome
    people complex
    motives and manners unclear
    grant her the wisdom to choose her path right
    free from unkindness and fear
    let her tell stories and dance in the rain
    somersault, tumble and run
    her joys must be high as her sorrows are deep
    let her grow like a weed in the sun
    ladies of paradox
    ladies of measure
    ladies of shadows that fall
    this is a prayer for a blueberry girl
    words written clear on a wall
    help her to help herself
    help her to stand
    help her to lose and to find
    teach her were only as big as our dreams
    show her that fortune is blind
    truth is a thing she must find for herself
    precious and rare as a pearl
    give her all these and a little bit more
    gifts for a blueberry girl


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    Domingo, 8 de Março de 2009

    She pours a daydream in a cup

    Quando acordou e viu o dia lindo do lado de fora da janela e o bolo de chocolate em cima da mesa, não pode deixar de pensar que a vida é mesmo um clichê. Passou café, arrumou a mesa. Seu coração estava aquecido e o silêncio da casa já não lhe assutava. Ninguém sabia disso, só ela.




    Her Morning Elegance
    (Oren Lavie)

    Sun been down for days
    A pretty flower in a vase
    A slipper by the fireplace
    A cello lying in its case

    Soon she's down the stairs
    Her morning elegance she wears
    The sound of water makes her dream
    Awoken by a cloud of steam
    She pours a daydream in a cup
    A spoon of sugar sweetens up

    And she fights for her life
    as she puts on her coat
    And she fights for her life on the train
    She looks at the rain
    as it pours
    And she fights for her life
    as she goes in a store
    with a thought she has caught
    by a thread
    she pays for the bread
    and she goes…
    Nobody knows

    Sun been down for days
    A winter melody she plays
    The thunder makes her contemplate
    She hears a noise behind the gate
    Perhaps a letter with a dove
    Perhaps a stranger she could love

    p.s.: o Oren Lavie é um músico e escritor e diretor de teatro isralense que mora em Berlin (procura aí no google que eu não sei colocar link aqui). A letra eu peguei no Terra e o clipe tá lá no youtube. Oren tem sido minha trilha sonora essas últimas semanas.

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    Domingo, 22 de Fevereiro de 2009

    sobre vícios e virtudes II

    Eu cultivo meus vícios (porque se uma pessoa não cultivar nem seus vícios, vai cultivar o que nessa vida, né mesmo?). Também cultivo alguns relacionamentos e uma plantinha com fator de cura IV, o que talvez explique porque ela não teve o mesmo fim que o manjericão e a pimenteira.

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    Domingo, 15 de Fevereiro de 2009

    sobre vícios e virtudes I

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    Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009

    A Paciência

    _ ana, eu tenho um vício
    _ que bom... é mto bom ter vícios!
    _ eu não tô gostando, porque é um vício chato
    _ o que é? é um vício caro?
    _ jogar paciência no computador
    _ eu tb tenho esse!
    _ eu me sinto uma idiota
    _ mas, olha, o chico buarque tb joga
    _ todo dia eu tenho que jogar
    _ jogar paciência faz parte do processo criativo, porque limpa a mente pras idéias poderem vir
    _ é verdade!
    _ eu me sinto mto respaldada depois que eu soube que o chico tb joga!
    _ isso me aliviou, confesso
    _ pois é...
    _ égua ana, tu não sabes como eu estou feliz em ter um vício em comum com o chico!!!

    "O tempo de Chico Buarque é diferente, diz ele. O trabalho e a criação ocpuam sempre a sua cabeça. Quando caminha pela praia, quando vê um filme. Às vezes comete silêncios desconcertantes porque no meio de uma conversa se detém para pensar. Na hora de escrever, muitas vezes senta-se à frente do computador e fica horas jogando paciência. Até ter uma idéia. Então passa para o texto, escreve cinco minutos e volta para a paciência. Com o andar das coisas, isso vai mudando e ele fica menos tempo na paciência e mais no texto. (...)"
    (Chico Buarque do Brasil, ed. Garamond, p. 109)

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    Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009

    (El sueño de la razón produce monstruos, gravura de Francisco Goya, 1799)

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    Terça-feira, 6 de Janeiro de 2009

    na encruzilhada... de novo

    ...e agora??
    o problema de não saber de onde viemos e para onde vamos é esse!

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    Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

    Feliz 2009

    Hoje começa o ano novo de verdade, embora tudo continue igual. Tudo pra pagar, tudo pra arrumar, tudo que a gente não fez ano passado (eu não fiz tanta coisa) tá lá esperando pra fazer em 2009. E como se não bastasse, haja votos de paz, amor, felicidade, saúde, dinheiro e que tudo se realize, porque esse ano tudo vai ser melhor! Hum-hum.

    Mas esses dias, li um post no blog da cássia (www.olhoscaramelos.wordpress.com . Pois é, eu não sei fazer ficar a palavra azulzinha que a gente clica e já vai direto no link, acredita?) que era assim, ó:

    [...] Tem aquele livro do Camus, A peste, que o personagem passa o livro todo escrevendo um grande livro que ele queria fazer. E ele fica o livro inteiro no mesmo parágrafo. Porque se você quiser ser perfeito, você vai ficar sempre no mesmo parágrafo.

    Eduardo Coutinho
    , no DVD especial em comemoração aos 50 anos de lançamento do livro Grande sertão: veredas, de João Guimarães Rosa.

    *
    Este é o meu desejo para 2009: sejamos imperfeitos. Porque sem aqueles que não temem a imperfeição, o mundo jamais teria saído do lugar.


    E eu já quero é isso aí mesmo pra 2009! Brigada, querida!

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    Domingo, 21 de Dezembro de 2008

    verdade, beleza, liberade e amor

    A vida devia ser um musical...

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    Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

    quando viver é uma ordem

    "Dentro do carro, passei alguns minutos em silêncio tentando entender se minha vontade de convidar Martín para subir comigo no quarto do hotel era absurda, patética, inoportuna, apressada, equivocada, insana, ridícula, vulgar ou aviltante. Há tantos adjetivos no mundo que em certas ocasiões fica impossível escolher apenas um. Ou talvez essa abundância toda ainda seja insuficiente e certas ocasiões, sentimentos e coisas sigam sendo inadjetiváveis.”
    (Cordilheira, Daniel Galera)


    Cheiro de livro novo. Capricho de fim de ano.

    Porque de vez em quando somos tão severos com as pessoas, e elas nos amam tanto.
    Porque fim de ano é difícil, ainda mais com o trânsito parado por causa da árvore de natal gigante.
    Porque as pessoas sempre podem recusar um convite, mas quase sempre vale a pena correr o risco e convidar. Quase sempre.
    Por essas e outras, e por me faltarem os adjetivos e mesmo os substantivos e verbos, que faço minha segunda citação no mesmo post:

    As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
    provam apenas que a vida prossegue
    e nem todos se libertaram ainda.
    Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
    prefeririam (os delicados) morrer.
    Chegou um tempo em que não adianta morrer.
    Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
    A vida apenas, sem mistificação.
    (Carlos Drummond Andrade)

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    Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008

    clarice lispector

    Porque hoje Clarice faria 88...

    “Ter nascido me estragou a saúde”
    *
    “Quem não é um acaso na vida?”
    *
    “Eu não sou tão triste assim, é que hoje eu estou cansada”
    *
    “Sou um monte intransponível no meu próprio caminho. Mas às vezes por uma palavra tua ou por uma palavra lida, de repente tudo se esclarece.”
    *
    “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.
    *
    “Eu não sou promíscua. Mas sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro.”
    *
    “Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com seu amante.”
    *
    “Gosto do modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão.”

    *
    “Gosto dos venenos os mais lentos!

    As bebidas as mais fortes!
    Dos cafes mais amargos!
    E os delirios mais loucos.
    Voce pode ate me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
    E daí
    eu adoro voar!!!”
    *
    “Perder-se também é caminho.”
    *
    “Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito.”

    P.S.: se alguém não entendeu, todas as frases são de Clarice Lispector.

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    Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008

    Se ela fumasse, ia acender um cigarro e abrir uma cerveja. Como não fuma e não tem cerveja em casa, fez um chá. Chá não tem nada de baudelairiano!

    Abriu a cortina. Noite longa e escura. Lembrou do poema do Robert Frost que leu esses dias...

    The darkest evening of the year
    (…)
    The woods are lovely, dark and deep.
    But I have promises to keep,
    And miles to go before I sleep,
    And miles to go before I sleep.

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    Domingo, 30 de Novembro de 2008

    cabeça oca

    (clique na imagem pra ver maior)

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    Domingo, 23 de Novembro de 2008

    a embriaguez e o tempo

    “É preciso estar sempre embriagado.
    Isso é tudo: é a única questão. Para não sentir o horrível fardo do Tempo que lhe quebra os ombros e o curva para o chão, é preciso embriagar-se sem perdão.
    Mas de que? De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser. Mas embriague-se. E se às vezes, nos degraus de um palácio, na grama verde de um fosso, na solidão triste do seu quarto, você acorda, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, pergunte ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme,a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunte que horas são e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio lhe responderão: 'É hora de embriagar-se! Para não ser o escravo mártir do Tempo, embriague-se; embriague-se sem parar!
    De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser'."
    (Baudelaire)

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    Domingo, 2 de Novembro de 2008

    o homem ideal

    Outro dia, com umas amigas, brinquei de fazer listas. Adoro!
    Dessa vez, num acesso de adolescência, a lista era: meu homem ideal.
    No bar, num guardanapo de papel, elenquei as qualidades do meu homem:

    [clique na imagem pra ler melhor ;)]


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    Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008

    confiança

    _ Eu posso confiar em você?...
    _ Em que você quer confiar em mim?...
    _ Assim... se eu for cair você me segura?
    _ Patinando?
    _ Patinando, claro...

    Posso estar errada, mas eu realmente acredito que as pessoas são na vida como são nos esportes e não contrário.


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    Terça-feira, 7 de Outubro de 2008

    post no forno

    “Eu choro, sabe? Eu choro porque a dor não me deixa respirar e mesmo assim eu respiro fundo e solto o ar em oito tempos, como nos exercícios da aula de canto, enquanto bato claras em neve e meço a quantidade de leite para o suflê, enquanto ralo o queijo ou penduro a roupa no varal, enquanto misturo as tintas, enquanto lavo os pincéis.
    Choro porque sou impotente, porque tudo posso. Eu choro quase sempre, quase o tempo todo, porque o humano que há em mim se atira do parapeito e não tem volta, mas eu volto todas as vezes, todos os dias”

    Chegou hoje meu livro da Fal de Azevedo. Ainda não comecei apropriadamente, mas já estou quase na metade.

    Hoje fiz bolinhos de bacalhau. Mais tarde eu ponho aqui a receita.

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    Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008

    [foto by tali lobato, minha irmã querida]

    Porque hoje está frio e você está longe.
    Porque hoje está muito frio e eu tenho mto trabalho pela madrugada, fiz café.
    Que tomo lendo velhos e novos amigos...

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    Domingo, 7 de Setembro de 2008

    Faça o teste do abraço!

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    Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008

    Amor Barato

    Um tipo de amor que é de esfarrapar e cerzir,
    Que é de comer e cuspir no prato.
    Mas levo esse amor com zelo de quem leva o andor,
    Eu velo pelo meu amor que sonha,
    (...)
    Um tipo que tem que não deve nada a ninguém,
    Que dá mais que Maria Sem Vergonha.
    (Chico Buarque).

    Quem nunca teve um amor barato? É, aquele tipo que “é de mendigar cafuné, é pobre e às vezes nem é honesto”. Sabe aquela “pechincha de amor, mas que o sujeito faz tanta questão, que se tiver precisão, ele furta”? Sabe qual é, né? Pois então! Não tem emoção como a de um amor barato... [suspiro com o olhar distante...]

    Quem já teve sabe do que estou falando. Aquela agonia no baixo ventre, aquele peso na perna que impede de ir embora e faz deitar.

    Não desejo pra ninguém um amor barato eterno! Pelo amor de deus! Lembre-se, é um amor que não vale lá muita coisa! Amor barato não é pra levar pro altar, mas, meu amigo, ele tem o seu valorzinho. E hoje, com essa lua que chegou de repente na minha janela e um vinho no copo, queria fazer um brinde aos amores baratos. Àqueles que não valem prato que comem. Àqueles dos quais o sujeito até se envergonha e nega, mas que, no fundo, leva com o “zelo de quem leva o andor”.

    E como o assunto é esse, vou postar uma receitinha de boteco, que aprendi com uma amiga que, por sinal, é muito elegante e encontrou um amor precioso. É um prato que, como um amor barato, deve ser consumido com parcimônia para não fazer mal ao coração – ainda que parcimônia e amor barato pareçam não cair assim tão bem.

    Calabresa com Provolone

    Corte a lingüiça calabresa em rodelas grossas, ou como você preferir. Corte uma cebola em rodelas ou em comprido, como você preferir. Refogue a cebola com margarina e um pouco de óleo até ficar transparente, coloque a lingüiça. Refogue. Você pode temperar com um pouco de pimenta calabresa. Quando estiver com aquele dourado bem lindo, apague o fogo e coloque num pirex, cubra com provolone fatiado. Leve ao forno pra derreter o queijo.
    Para bem acompanhar, além de um amor (barato ou não), um pãozinho em rodelas e uma cerveja bem gelada.

    P.S.: um amor barato de verdade vele muito menos que essa receita porque a calabresa e o provolone tão pela hora da morte!

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