I too am not a bit tamed, I too am untranslatable,I sound my barbaric YAWP over the roofs of the world.
(Walt Whitman [1819–1892]. Leaves of Grass. 1900.)
"É confusa a minha fórmula. Verifiquei que na minha arte poucas regras se cumprem. Desconfia de mim, não cozinhes as minhas poções se te assaltar a sombra de uma dúvida. Mas lê essa tentativa falaz de feitiçaria: o esconjuro, se servir, é apenas o seu som – o que cura é o ar que as palavras exalam.” (Héctor Faciolince)
(gravura da folha de rosto da edição de 1854 de Thoreau, Henry David. Walden; or, Life in the Maine Woods.
Porque hoje Clarice faria 88...
“Ter nascido me estragou a saúde”
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“Quem não é um acaso na vida?”
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“Eu não sou tão triste assim, é que hoje eu estou cansada”
“Sou um monte intransponível no meu próprio caminho. Mas às vezes por uma palavra tua ou por uma palavra lida, de repente tudo se esclarece.”
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“Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.
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“Eu não sou promíscua. Mas sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro.”
“Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com seu amante.”
“Gosto do modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão.”
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“Gosto dos venenos os mais lentos!
As bebidas as mais fortes!
Dos cafes mais amargos!
E os delirios mais loucos.
Voce pode ate me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
E daí
eu adoro voar!!!”
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“Perder-se também é caminho.”
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“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito.”
P.S.: se alguém não entendeu, todas as frases são de Clarice Lispector.
Se ela fumasse, ia acender um cigarro e abrir uma cerveja. Como não fuma e não tem cerveja em casa, fez um chá. Chá não tem nada de baudelairiano!
Abriu a cortina. Noite longa e escura. Lembrou do poema do Robert Frost que leu esses dias...
The darkest evening of the year
(…)
The woods are lovely, dark and deep.
But I have promises to keep,
And miles to go before I sleep,
And miles to go before I sleep.
“É preciso estar sempre embriagado.
Isso é tudo: é a única questão. Para não sentir o horrível fardo do Tempo que lhe quebra os ombros e o curva para o chão, é preciso embriagar-se sem perdão.
Mas de que? De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser. Mas embriague-se. E se às vezes, nos degraus de um palácio, na grama verde de um fosso, na solidão triste do seu quarto, você acorda, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, pergunte ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme,a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunte que horas são e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio lhe responderão: 'É hora de embriagar-se! Para não ser o escravo mártir do Tempo, embriague-se; embriague-se sem parar! De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser'."
(Baudelaire)
_ Eu posso confiar em você?...
_ Em que você quer confiar em mim?...
_ Assim... se eu for cair você me segura?
_ Patinando?
_ Patinando, claro...
“Eu choro, sabe? Eu choro porque a dor não me deixa respirar e mesmo assim eu respiro fundo e solto o ar em oito tempos, como nos exercícios da aula de canto, enquanto bato claras em neve e meço a quantidade de leite para o suflê, enquanto ralo o queijo ou penduro a roupa no varal, enquanto misturo as tintas, enquanto lavo os pincéis.
Choro porque sou impotente, porque tudo posso. Eu choro quase sempre, quase o tempo todo, porque o humano que há em mim se atira do parapeito e não tem volta, mas eu volto todas as vezes, todos os dias”
Chegou hoje meu livro da Fal de Azevedo. Ainda não comecei apropriadamente, mas já estou quase na metade.
Hoje fiz bolinhos de bacalhau. Mais tarde eu ponho aqui a receita.