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    quinta-feira, 4 de outubro de 2007

    A Avelã da Sabedoria - outras abordagens

    Era noite na clareira do laguinho e o céu estava salpicado de estrelas, além do que se pode contar.
    (...) Um rato do campo achou uma avelã caída e começou a roer sua casca dura (...), não porque estava com fome, mas porque era um príncipe encantado que não podia recuperar sua aparência original a não ser que comesse a Avelã da Sabedoria. Mas sua ânsia fez com que ele se descuidasse e só a sombra que brotava do luar avisou sobre a aproximação de uma enorme coruja cinzenta que pegou o rato com seu bico afiado e voou de novo em direção à noite.
    (Neil Gaiman)

    Ando muito preocupada, agoniada e atarefada com a vida acadêmica, por isso nunca mais tive tempo sequer de comer, avali* de cozinhar. Não tenho novas receitas, mas faz tempo que estou querendo inventar um post pra esse trecho de Stardust**, que reli ultimamente, antes dos meus prazos se esgotarem todos.

    Como meus neurônios, já meio caducos, estão todos ocupados no momento com jesuítas, índios, epistemologias e afins, resolvi por no ar, mesmo sem receita adjacente, apenas pra chamar a atenção (sobretudo, a minha) sobre o quanto a ânsia pode ser desastrosa na vida!

    Às vezes, uma situação é aparentemente tão absurda que se tem a tentação de achar que nada mais pode dar errado. Qual o quê! Nada, absolutamente nada, é tão ruim que não possa piorar. Suponhamos que a coruja não tivesse aparecido, e o príncipe, que devia ser uma peste quando era humano, nunca encontrasse a tal Avelã da Sabedoria? Ou ainda, que essa história de Avelã da Sabedoria fosse uma balela e não existisse? É possível cogitar muitas hipóteses nesse sentido. A coruja, então, o livrou de uma vida de frustração. Nesse caso, a situação absurda (estar encantado) foi potencializada (estar encantado e ser comido por uma coruja), mas, dadas as condições de possibilidades, foi a melhor opção.

    Quero, com isso, apenas apontar possíveis caminhos de reflexão sobre o problema. Até porque meu intervalo acabou, e o João Daniel (meu jesuíta) me chama.

    Antes de ir, porém, queria agradecer publicamente a minha irmã querida que, pacientemente, me revelou preciosos segredos sobre o misterioso mundo do html.

    * vocabulário caboco da minha terra.
    ** o filme, aliás, estréia semana que vem. É o melhor dos últimos tempos!!

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    1 Comentários:

    Às 15 de outubro de 2007 14:54 , Blogger Izabel disse...

    é verdade!... o príncipe rato não devia ser boa coisa em forma de gente... um gente-rato.
    o que nos conduz à seguinte questão: ainda que os caminhos da vida sejam relamente numerosos, que os significados dos finais dos contos, inumeráveis: a força e a energia da vida obedece a um tipo de pradão. homem, príncipe, rato... com força e energia de rato.
    olha... por isso que os adjetivos são, ao meu ver, mais importantes que os nomes. e os adverbios, mais importantes que os verbos. por causa da força e da energia empragadas.
    se a avelã da sabedoria existe ou se é apenas uma história inventada pra impedir suicídios em massa,eu não sei, nem me importa... importa saber que no final dos contos o que quer que me aconteça terá a mesma força e mesma energia que eu emanei pela floresta.

     

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