quinta-feira, 21 de junho de 2007

Bolo Piscina


Tenho cozinhado tão pouco desde que o blog foi ao ar, que as idéias ficam todas na cabeça e não se tornam texto. Não sei se acontece com vocês. O Wittgenstein que teve um problema parecido, passou anos anotando coisas pra escrever um livro, mas seus pensamentos se recusavam a se deixar moldar num texto filosófico, ele, então, percebeu que o máximo que ia dar pra publicar eram anotações filosóficas. Eu li isso numa crônica do Rubem Alves.

Bom, mas esses dias fui em casa, visitar minhas pessoas, e cozinhei bastante. Até queimei a mão numa chaleira assassina e piro maníaca que tem lá em casa. Tenho uma lista enorme pra trazer pra cá, mas vou começar com o bolo piscina. Antes, queria ainda, fazer uma nota fúnebre... minha pimenteira morreu de saudade.

Mas vamos ao bolo. A receita é inventada a partir de uma receita da mãe de uma amiga minha que tinha uma doceria. Lá ela vendia esse bolo, que não se chamava assim, mas fiz imitando o dela que tinha uma piscina de cobertura no meio. Eu desconheço a receita original, mas ficou bem parecido. Na foto, a cobertura toda que enchia o buraco do meio, já tinha sido comida.


Ingredientes do bolo:

4 xíc. de trigo com fermento
4 ovos
250g de margarina
2 xíc. de açúcar
1 e ½ xíc de leite
1 xíc. de chocolate em pó
1 col. de chá de bicarbonato
Umas gotinhas de baunilha

Modo de fazer:

Pode ser batido na batedeira, mas eu prefiro bater bolo na mão.

Antes de qualquer coisa, unte uma forma redonda daquelas que tem um furo no meio (aí que vai ser a piscina) e acenda o forno baixo.

Misture os ovos, sem a pelezinha da gema*, o açúcar e a margarina e a baunilha. Depois acrescente o chocolate. Misture. Acrescente o leite. Misture. O trigo e o bicarbonato. Misture. Depois que puser o trigo, bata somente o suficiente pra misturar, mais que isso pode solar o bolo.

Leve ao forno. Aumente a temperatura pra média e não abara o forno de jeito nenhum (senão o bolo senta), até que sinta o aroma gostoso de bolo se espalhando pela cozinha. Mas cuidado, eu disse aroma gostoso de bolo, não cheiro de queimado. Deve levar uns 25-30 min, enfie um palito de dentes, se sair limpo o bolo está bom. Ainda quente, e sem desinformar, faça vários furinhos com um garfo e jogue delicadamente a calda. Espere esfriar antes de desinformar. Depois de frio, desinforme e derrame a abundante cobertura de modo que o buraco do meio seja completamente coberto.

*quebre os ovos, derrame toda a clara na vasilha e a gema na sua mão. Faça um furo na gema e espere derramar. É que é essa pelinha que faz o bolo ficar com cheiro forte de ovo (esse cheiro característico que certas comidas têm, como o ovo ou o peixe, chama pitiú)

Ingredientes da calda:

2 xíc. de leite
3 col. de sopa de chocolate em pó
1 col. de sopa rasa de margarina

Coloque tudo numa panela grande e leve ao fogo até levantar fervura.


Ingredientes da cobertura:

2 latas de leite condensado
1 lata de leite líquido
1 col de sopa (rasa) de margarina
4 col. de chocolate em pó

Coloque tudo em uma panela grande e leve ao fogo mexendo sempre até engrossar. Despeje delicadamente no bolo.

P.S.: Experimente fazer essa receita na véspera do dia de Sto. Antônio, 13/06, convide duas ou três amigas daquelas que conversam ininterruptamente para dormirem na sua casa. A meia noite, pontualmente, parta o bolo e faça um pedido. Se ele não se realizar, tudo bem, o importante é ter passado horas conversando com algumas das pessoas mais especiais do mundo.

sábado, 2 de junho de 2007

diálogo

_tu achas que eu sou demais?
_demais fresca?

_não...
_só porque gosto de geléia de pimenta?
_de comidas que ninguém sabe o nome...
_mas é que eu sou sofisticada, poxa.

_não tenho culpa se eu sou chique.
_Tiraste o embrulho?
_que embrulho?
_o daí de dentro, de novo...
_não, eu só coloquei o papelão... eu sou além de sofisticada, muito inteligente!
_ah, tá! e modesta.
_pois é, né?
_nem tanto...
_eu tenho muitas qualidades...

quarta-feira, 23 de maio de 2007

baba cósmica


Pra acalentar o coração na noite fria, bom mesmo é brigadeiro de colher com bolacha. Se tiver alguém pra dividir, então...

Ingredientes:

1lata de leite condensado

½ lata de leite liquido (mede na lata do condensado)

2 colheres (sopa) de chocolate em pó (pode ser nescau, mas nesse caso toddy é melhor)

1 colher (sobremesa) margarina

1 pacote de biscoito maisena

- coloca tudo, menos a bolacha, numa panela grande (tem que ser grande porque senão o leite transborda quando ferve), leva ao fogo e fica mexendo até ferver.

- continua mexendo porque demora um pouco pra dar o ponto. Quando começa a desgrudar do fundo pode desligar.

- tritura a bolacha numa vasilha separada e mistura no brigadeiro.

domingo, 20 de maio de 2007

O Tratado

"Ninguém conhece as receitas da felicidade. Na hora da infelicidade de nada servirão os mais elaborados cozinhados para satisfazer alguém. E até, se em algumas a tristeza é motor do apetite, não convém que nos dias de aflição se empanturrem de comida. Na infelicidade a comida não é assimilada e cria gordura. As mais saudáveis beberagens soltam sua peçonha quando preparadas por uma mulher aflita.

Saudável costume é o jejum nos dias de desgraça.

Contudo, no meu longo exercício com frutos e verduras, com ervas e raízes, com músculos e vísceras dos variados animalejos silvestres e domésticos, descobri às vezes caminhos de consolação. São cozimentos simples e de mínimo risco. Toma-os, porém, com cautela: os melhores remédios são veneno para alguns. Mas faz a prova, tenta. Não é bom que afagues passivamente a tua infelicidade. A tristeza entope. Busca o purgante das lágrimas, não fujas ao suor, e, depois do jejum, experimenta as minhas receitas.

É confusa a minha fórmula. Verifiquei que na minha arte poucas regras se cumprem. Desconfia de mim, não cozinhes as minhas poções se te assaltar a sombra de uma dúvida. Mas lê essa tentativa falaz de feitiçaria: o esconjuro, se servir, é apenas o seu som – o que cura é o ar que as palavras exalam.” (Faciolince, Héctor A. Receitas de Amor para Mulheres Tristes. Lisboa: Editorial Presença, 1999)


Antes de qualquer coisa, quero dizer que o nome do blog foi o Héctor Abad Faciolince, que é um poeta colombiano, que inventou. Ele não foi publicado no Brasil ainda (que eu saiba). Mas o seu Tratado de Culinaria para Mujeres Tristes, foi publicado em Portugal com o título menos legal de Receitas de Amor para Mulheres Tristes.

Entendo bastante de tristeza, um pouco de cozinha. Não sou poeta; me proponho simplesmente a compartilhar pensamentos e, talvez, algumas receitas.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

biblioteca

morangos com creme são sempre bem vindos...
sempre.



testando esse lay-out.

Testing with Big Tasty

Essa carne aí no meio é tipo churrasco.
Nunca coma porque é horrível. :^P